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Por que chove em São Paulo?


Foi com esta pergunta - aparentemente ilógica - que a Dra. Silvia Gobbo iniciou a sua palestra na quarta-feira última (11.03.2015), na sede da OAB de Piracicaba. De maneira bastante didática e com muita clareza, a bióloga foi mostrando, primeiro, que a posição geográfica do Estado de São Paulo sugeririra não uma região de chuva, mas, sim, de seca: está na linha do Trópico de Capricórnio, que corta grandes desertos, como o de Atacama e o da Namíbia. Em segundo, explicou como esse "milagre" se opera, ou seja, como a chuva chega em São Paulo e "umedece" também a região Centro-Oeste. Sendo bastante suscinta - e aí já vou pedindo desculpas acaso eu não consiga transmitir com total fidedignidade a ideia - a professora mostrou que o fenômeno, chamado de "rios voadores", ocorre porque a evaporação da água no Oceano Atlântico, na altura do Equador, segue para o continente por força dos ventos alíseos; estas nuvens, por sua vez, se juntam à umidade da floresta amazônica, ficando mais carregadas; o vento continua empurrando as nuvens para o interior do continente, quando, então, "trombam" com os Andes e se desviam "para baixo", levando chuva para o Centro-Oeste e o Sudeste. Isso não tem nada a ver com a crise d´água? Ora, mas claro que tem: se a Amazônia está sofrendo desmatamento, falta a tal umidade da floresta amazônica para completar a carga das nuvens. E aí, dá-lhe seca no Sudeste!

Portanto, quando nos perguntamos "por que chove em São Paulo?", isso não é uma ironia ou piada sem graça para os "sem-água" da capital. É uma pergunta fundamental para que pensemos por que estamos e como chegamos à crise. Mas, sobretudo, ter claro qual o caminho que teremos para sair dela.

Nessa hora primeira coisa que se pensa é "obra pública": construir soluções, investir todo o dinheiro que não o foi ao longo de anos. Mas saber por que chove em São Paulo nos faz pensar, por exemplo, que não vai adiantar construir mais represas, fazer mais transposições, cavar poços cada vez mais fundos, se esta importante fonte de água - água amazônica, aliás, da mesma origem daquela água gourmet que está sendo exportada para a Europa e vendida em Euro a preço de ouro (http://www1.folha.uol.com.br/mercado/2014/11/1551980-empresarios-brasileiros-criam-agua-gourmet-a-partir-do-ar-da-amazonia.shtml) - não for preservada.

Então, quando acender sua vela para São Pedro, peça pela chuva. Mas, antes, pela proteção da Amazônia.

OBS: Este vídeo não pertence à palestra da Profa. Silvia. Retirei-o do YouTube (https://www.youtube.com/watch?v=F6NYhdZwXr8) apenas para ilustrar o texto.


 
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